Seagri e Dom Távora capacitam técnicos na comercialização de ovinos e caprinos

Projeto Dom Távora | | 08:00h

Projeto propõe meios de agregar valor ao produto dos arranjos produtivos que beneficiou

Os técnicos consultores do Projeto Dom Távora, que atendem aos planos de negócios de ovino e caprinocultura, participaram, no início desta semana, de uma capacitação voltada para a comercialização de carneiros e cabritos, realizada na Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca – Seagri. Só neste setor produtivo, o projeto já financiou a compra de 20.000 matrizes, entregues a agricultores familiares de 15 municípios sergipanos. O secretário executivo do Fórum dos Gestores e Gestoras da Agricultura Familiar do Nordeste, Eugênio Peixoto, foi o facilitador da capacitação, trazendo análises de mercado, experiências bem-sucedidas da região Nordeste e um leque de possibilidades nas quais Sergipe pode se enquadrar, seja na produção, terminação, industrialização ou até mesmo na exportação de carne com padrão de qualidade.

 

“A ideia é fazer uma reflexão sobre a importância da agricultura familiar, por onde passa a ovino-caprinocultura - principal cadeia produtiva, do ponto de vista de densidade, rentabilidade e adaptabilidade, principalmente no semiárido. Existem possibilidades concretas de comercialização, há o interesse de países árabes – articulações feitas pelo próprio consórcio dos governadores. Vamos discutir essas estratégias e os melhores caminhos para dinamizar a economia a partir dessa potencialidade. É necessário começar a pensar num padrão de animal para garantir essa oferta, que tenha a mesma carcaça e sabor da carne. Deixar de vender carcaça e animal vivo, e começar a vender cortes finos, que requerem investimento em abatedouros, frigoríficos e técnica”, detalhou Eugênio Peixoto, especialista em planejamento estratégico e metodologias de capacitação, atuante no movimento sindical, setor público e organismos internacionais.

 

O secretário de Estado da Agricultura, André Bomfim, avaliou positivamente mais essa oportunidade de capacitação oferecida aos consultores que atuam no projeto Dom Távora. “A criação de ovinos e de caprinos representa a maior parte dos arranjos produtivos atendidos. Por isso, serve de nivelamento com os outros projetos financiados pelo FIDA [Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola] no Nordeste, com foco na comercialização do produto gerado nesses planos de negócio. Nos leva a entender a necessidade de melhorar o manejo dessa importante atividade para atender aos anseios do mercado, verificando as oportunidades que esse produto tem, inclusive no mercado internacional, além do que se faz necessário para chegar a essa qualidade, e quais as tecnologias necessárias para melhorar nossos rebanhos”, avalia. 

 

O Dom Távora é uma parceria entre o Governo de Sergipe e o FIDA para o desenvolvimento da agricultura familiar nos municípios de menor índice de desenvolvimento humano [IDH] no estado, com meta de atender 10 mil famílias  com financiamento de arranjos produtivos, assistência técnica, extensão rural  e capacitação. Gismário Nobre, coordenador geral do projeto, explica que o objetivo é encontrar a melhor destinação do que será gerado a partir dos planos de negócio criados. “Temos um rebanho numeroso. Adquirimos 20 mil cabeças de ovinos - grande parte já em fase de reprodução - e nos preocupamos com a questão do mercado. A nossa intenção é ver como cada estado do Nordeste desenvolve seus projetos financiados pelo FIDA, para discutir sobre como beneficiar e agregar mais valor à carne”.

 

Consultor contratado para atuar no Dom Távora, o zootecnista Reginaldo Guedes afirma que  existe um debate a esse respeito com os novos pequenos criadores, e já foram dados alguns passos para encontrar a destinação para o produto. “Estamos buscando aproximar o produtor do comprador. Fizemos uma pesquisa com consumidores, produtores e compradores, para saber qual é a necessidade de cada um, para realizar uma compra organizada, mas que não seja feita de maneira complicada”, adiantou. Para ele, o processamento de cortes especiais requer a criação de consórcios entre os municípios para facilitar o investimento e as exigências sanitárias. “Há um processo de padronização e as carnes que estiverem fora desse ‘score’ - que vai de 1 a 5 - podem servir para a produção de embutidos, por exemplo”, finalizou.

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